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Em Luta: vítimas, familiares, terrorismo de Estado

Em Luta: vítimas, familiares, terrorismo de Estado

A Exposição Em Luta: vítimas, familiares, terrorismo de Estado apresenta uma parte do que vem sendo feito há décadas pelos movimentos de familiares de vítimas da violência perpetrada por agentes e agências de Estado.

Desde 1990, quando o desaparecimento de onze jovens levou à criação do Movimento Mães de Acari, no Rio de Janeiro, familiares vêm se organizando coletivamente para fazer frente às ações letais e às práticas de terror empreendidas por policiais civis e militares ou por grupos paramilitares e milicianos, que atuam em territórios de periferia e favelas em inúmeras cidades brasileiras, bem como por agentes penitenciários e do sistema socioeducativo. Como dizem na carta produzida durante o 1º Encontro Internacional das Mães de Vítimas da Violência do Estado: “LUTO para nós sempre foi verbo e substantivo, desde que nós nascemos. Nós lutamos desde sempre, desde muito antes, e nunca deixaremos de encarar de frente os inúmeros lutos cotidianos que sempre nos foram impostos com muita violência”.

Erguendo-se contra a banalização das mortes e sua justificativa como parte das ações de segurança pública e manutenção da ordem em suas diversas formas, as mães e demais familiares de vítimas combatem, portanto, as violências mais estruturais de nossa sociedade, como as raciais, de classe e de gênero. Dos lutos cotidianos mencionados acima, nascem as lutas igualmente cotidianas.

Isto tudo se dá, nunca é demais lembrar, em um país que registra números elevados de violência estatal. No ano de 2019, as polícias brasileiras mataram 5.804 pessoas. Apenas no primeiro semestre de 2020, mesmo em meio à pandemia, houve um aumento de 7% no número de pessoas assassinadas por agentes das forças de segurança, totalizando 3.148.

A inscrição desta exposição no âmbito da 32ª Reunião Brasileira de Antropologia se deve, por sua vez, a diversos motivos. O primeiro deles é a longa relação estabelecida entre antropólogas e antropólogos e os movimentos de familiares, resultado de interlocuções que aliam pesquisa, solidariedade, compromisso ético-político e afeto. Para além do vínculo com pesquisadoras e pesquisadores específicos, porém, o fazer antropológico não pode se furtar da busca por estabelecer uma compreensão posicionada de processos sociais e políticos tão brutais como os que aqui vislumbramos. Longe de construir uma exposição “sobre” os movimentos, consideramos que esta é parte das múltiplas e variadas ações que os próprios movimentos indicam como oportunas, relevantes e desejáveis. O processo curatorial não poderia ter sido feito, portanto, senão em diálogo com participantes dos próprios movimentos.

Para além das trocas iniciais para a concepção de uma exposição virtual, registramos em especial a participação de integrantes de diferentes coletivos que compõem a Rede Nacional de Mães e Familiares de Vítimas do Terrorismo do Estado nas atividades curatoriais realizadas a distância, mas com muito comprometimento. A primeira seleção de quais registros poderiam compor esse conjunto Em luta foi realizada pelas próprias mães e familiares, para a partir de então serem traçadas as linhas que costuram cada uma das salas de visitação.

Um dos objetivos centrais desta exposição é que ela não seja um fim em si mesma, mas um ponto de partida para a constituição de um espaço permanente de preservação da memória das lutas de familiares de vítimas. Nesse sentido, deve ser entendida como um primeiro esforço para dar forma ao antigo anseio de movimentos sociais e de coletivos de criar um espaço comum compartilhado no qual essas lutas possam não apenas ser registradas, mas também reverberadas e impulsionadas, ampliando conexões locais e internacionais.

A exposição está formada por sete salas, além de uma Linha do Tempo e um Mapa localizando diferentes coletivos e movimentos brasileiros de familiares de vítimas.
Você pode seguir a ordem que quiser na visita às salas, indo e voltando várias vezes, se for o caso.

Mapa

Clique aqui para acessar o Mapa

Sugestão de percurso

Comece pela Sala “Nossos mortos têm Voz. Nossos mortos têm Mães”, que reúne imagens dos jovens mortos e de suas mães, acompanhadas de falas delas.

Em seguida, passe para a Sala “Homenagem às Mães de Acari”, onde poderá conhecer um pouco deste movimento tão importante para a história dos movimentos de familiares de vítimas.

As salas seguintes, “Comissão de frente” e “Feito à mão”, trazem as imagens dos materiais produzidos pelos coletivos de mães e familiares para comunicar seu recado nos atos públicos. “Comissão de Frente” traz as mensagens que circulam em banners, faixas e outros suportes, e “Feito à Mão” coloca-nos em contato com cartazes, bordados e outros materiais produzidos de forma mais artesanal e igualmente forte.

Saindo dos atos públicos, siga para a Sala “A canetada mata mais que o fuzil”, que reúne imagens e vídeos sobre outra frente de batalha dos movimentos: os processos judiciais.

Em seguida, vá para a Sala “Tem que protocolar tudo”, onde estão reunidos documentos que os movimentos produziram no intuito de levar suas denúncias a diferentes instâncias de autoridade.

Por fim, visite a Sala “In Memorian”, onde homenageamos mães, familiares e lutadoras que não estão mais conosco, mas que seguem nos inspirando e olhando por todas suas companheiras.

Linha do Tempo

Salas

Clique aqui para ir para a sala 1: Nossos mortos tem Voz. Nossos mortos tem Mães

Clique aqui para ir para a sala 2: Homenagem às mães de Acari

Clique aqui para ir para a sala 3: Comissão de frente

Clique aqui para ir para a sala 4: Feito à mão

Clique aqui para ir para a sala 5: A canetada mata mais que o fuzil

Clique aqui para ir para a sala 6: Tem que protocolar tudo

Clique aqui para ir para a sala 7: In Memoriam