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Ogbón

Ogbón

Esta vídeoinstalação é um exercício de aproximação imagética de um universo de questões, que compõem o cotidiano de antropólogas/os negras/os em diferentes momentos formativos e/ou profissionais, captadas a partir de um levantamento realizado, entre pesquisadoras/es que fazem parte da Articulação Nacional de Antropólogas/os do Brasil.

Nossa abordagem tem como ponto de partida, a reflexão sobre como as inquietações provocadas pela experiência antropológica são vivenciadas a partir de um referencial pessoal, que confronta as pessoas atravessadas por marcadores da diferença (raça, gênero, classe, etnia), e se traduzem em outras formas de situar-se nos processos de construção de conhecimento, nas interações, nos contextos de pesquisa e mesmo entre os pares no ambiente acadêmico. Deste modo, Ogbón se constitui a partir da proposição de leituras de mundo que vêm rompendo com estruturas históricas de conformação a um padrão ocidental na forma de produzir ciência, arte, linguagem e relações humanas.

Captura de Still por Victória Costa

Partindo deste referencial, Ogbón busca falar a respeito do processo de formação do Comitê de Antropólogas/os Negras/os da ABA, através de uma linguagem permeada por uma sensibilidade plural que busca incorporar sujeitos/as produtores/as de conhecimentos e vivências diversas como forma de demarcar a importância de reposicionar a diversidade, enquanto elemento de enriquecimento estético, político e intelectual, como uma pauta central das intervenções deste Comitê, no âmbito da associação e do universo disciplinar antropológico.

Consideramos importante enfatizar que o lugar de onde falamos é demarcado por processos históricos de exclusão e silenciamento que permanecem como desafios perenes na luta contra o sufocamento das nossas vozes e cerceamento de nossos futuros. É preciso dizer que num mundo onde ainda testemunhamos episódios como o assassinato de George Floyd em 20 de março de 2020, e das crianças Ágatha Vitória Sales Félix em 20 de setembro de 2019, e de Miguel Otávio Santana da Silva, em 2 de junho de 2020 – que são exemplos que se multiplicam em tantas outras histórias de dor e violência de famílias negras - falar sobre nossas experiências e sobre a tessitura de trajetórias pessoais e coletivas, que nos possibilitam um lugar de afirmação dentro do campo antropológico, é uma forma de investir em nossas existências e também na construção de novas possibilidades de vida coletiva.

Em Ogbón fizemos a escolha do uso das tramas como fio condutor da nossa narrativa, por entender que o percurso que nos conduziu à Formação da Articulação Nacional de Antropólogas/os Negras/os e à criação do Comitê de Antropólogas/os Negras/os da ABA foi construído ponto- a- ponto através das trajetórias de muitas e muitos intelectuais negres que abriram caminhos discursivos, políticos, acadêmicos e subjetivos para jovens negras e negros Para que essas e esses tenham a possibilidade de se constituir profissionalmente e situarem seus questionamentos, reivindicações e proposições acerca da antropologia que desejam construir.

É importante ressaltar, que toda a construção deste material é fruto de um trabalho coletivo de pessoas negras, desde a direção/curadoria, até as dimensões técnicas e interpretações artísticas. Agradecemos a cada uma das pessoas que estiveram engajadas neste projeto pela dedicação e comprometimento, principalmente aos jovens negros e negras que colocaram à nossa disposição seu tempo e talento fazendo com que Ogbón seja esse lindo manifesto, não apenas dos nossos anseios acerca do fazer antropológico, mas das nossas capacidades de realização a partir de uma perspectiva transformadora.

Ana Paula da Silva
Juliana Cíntia Lima
(Curadoras e produtoras-executivas)