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Transcrição: Desistir não faz parte da natureza indígena

E aí eu faço um elogio aos antropólogos, né... aos grandes antropólogos, às grandes antropólogas, que vão lá pro Mato Grosso do Sul fazer pesquisa lá dentro. Porque tem muitos antropólogos que vão lá fazer pesquisa. Pesquisam. Fazem pesquisas, e fazem as suas pesquisas denúncia. Tem muitos antropólogos que vão pesquisar lá dentro.

O meu orientador, o professor Jorge Eremites... quer dizer, eu lembro do meu orientador, mas tem o Benites, que é de lá também... tem outros antropólogos e mulheres também que estão lá dentro... então essa visibilidade a gente tem através das pesquisas. Mas através de outras coisas a gente não tem. Então assim, por que que uma Apurinã lá do Amazonas, da terra do [inaudível?], da terra da floresta, da terra da chuva, vai lá pra secura do cerrado pesquisar? Eu não posso dizer... te dar uma explicação material assim, concreta. Mas eu te dou uma explicação espiritual. Eu estou lá porque os meus espíritos me levaram lá, para estar lá com aquele povo - que me espera, que me recebeu, que Mama Júlia me abraçou, que me chama de filha né, que está lá comigo. Porque eu estou lá porque os espíritos me mandaram. Porque senão não estaria lá. Eu fui recebida, eu fui batizada para estar lá. Porque senão não estaria lá. Então é uma força maior que eu. É uma força maior que eu. Então eu pesquiso, eu já tinha um mestrado em educação, fui fazer um mestrado em antropologia e fui pesquisar as mulheres Kaiowá lá do Mato Grosso do Sul. Então... e agora no doutorado eu continuo... vou continuar a minha pesquisa no Mato Grosso do Sul. Estou ameaçada de morte, estou. Se vou morrer não sei[?], [inaudível] desistir não, não vou desistir. Eu sou uma Apurinã, Apurinã nunca desiste. É isso assim... tipo - "Ah, você tem medo?" Olha, medo a gente tem. Mas eu acho que essa coisa de desistir... não, não faz parte da minha natureza, acho que não faz parte da natureza indígena. Porque nós estamos aí há 520 anos. Querem nos matar há 520 ano. Então fazem tudo. Tudo que tu imaginar já fizeram no país. É lei, é modo, tiraram a nossa língua, quiseram nos catequizar, nos matar a bala, e é isso, e aquilo, e aquilo...e a gente continua. Então... não existe no dicionário indígena, desistência. Então é mais ou menos assim...